Parques Tejo vai sensorizar lugares de cargas e descargas em Algés

A Parques Tejo vai avançar com a instalação de sensores em lugares de cargas e descargas em Algés, permitindo acompanhar a sua utilização, identificar períodos de maior pressão e recolher dados para tornar as operações logísticas mais eficientes e melhorar a gestão e fiscalização do espaço público.

O projeto foi apresentado por Mara Duarte, presidente da Parques Tejo, durante uma “Mobi Conversa” do Portugal Mobi Summit dedicada aos desafios da última milha e ao impacto crescente das entregas nas cidades. A conversa reuniu ainda Alberto Pimenta, Senior and Board E-Commerce Advisor dos CTT, e Rafael Morgado Fernandes, fundador e CEO da Low Low.

A eletrificação das frotas foi apontada como parte importante da resposta à logística urbana, mas insuficiente para resolver, por si só, os problemas associados à circulação, às paragens e à crescente pressão sobre o espaço público.

Na perspectiva da Parques Tejo, a resposta passa por combinar tecnologia, dados, regulação e uma gestão mais eficiente do espaço disponível.

“Um carro em segunda fila é um carro em segunda fila”, salientou Mara Duarte durante a conversa, sublinhando que a redução de emissões não elimina problemas como o bloqueio de passadeiras, a ocupação indevida dos lugares de cargas e descargas ou os conflitos entre diferentes utilizações da rua.

Dados para gerir melhor o espaço público

Um dos temas centrais da conversa foi a importância da recolha e partilha de dados entre municípios, gestores do espaço público e operadores logísticos.

Para Mara Duarte, as cidades não precisam de conhecer a identidade dos destinatários das encomendas, mas necessitam de informação agregada que permita perceber quantos veículos circulam, onde se concentra a procura e de que forma são utilizados os espaços destinados às operações logísticas.

Esta informação pode apoiar decisões sobre a localização de espaços de cargas e descargas, criação de hubs de proximidade, reorganização de circuitos e fiscalização mais direcionada.

Algés como laboratório para novas soluções

A sensorização de 48 lugares de cargas e descargas permitirá à Parques Tejo conhecer com maior detalhe os padrões de utilização destes espaços, os tempos de ocupação e os períodos de maior procura, criando uma base de informação para testar novas soluções de logística urbana.

A Parques Tejo pretende ainda disponibilizar espaço nos seus 14 parques de estacionamento para a instalação de cacifos e outras soluções de distribuição de proximidade, promovendo modelos que possam reduzir a necessidade de entregas porta a porta e, consequentemente, a circulação de veículos no espaço urbano.

Entre as medidas apresentadas está também a possibilidade de disponibilizar 15 minutos de estacionamento gratuito para levantamento de encomendas, incentivando soluções de recolha mais eficientes.

A experiência em Algés deverá envolver operadores do setor e permitir testar diferentes abordagens antes de uma eventual aplicação noutros pontos do concelho.

A participação da Parques Tejo nesta “Mobi Conversa” reforça uma abordagem à mobilidade que vai além da circulação automóvel: gerir melhor a cidade implica conhecer como o espaço público é utilizado, integrar os diferentes modos e necessidades de deslocação e criar soluções que tornem as operações urbanas mais eficientes, seguras e compatíveis com a qualidade do espaço público.

 

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07/10/2026

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