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“Mobilidade urbana é um fator de competividade.” Mara Duarte explica como

Mara Duarte, Presidente da Parques Tejo, participou esta quarta-feira o Seminário Imobiliário Logístico, organizado pela APLOG, com um discurso em que expôs a visão do concelho de Oeiras e da empresa municipal para um sector fundamental para o desenvolvimento dos municípios.

“A mobilidade urbana deixou de ser apenas um serviço público. É hoje uma infraestrutura económica crítica – e um fator de competitividade territorial. E isto é particularmente evidente no sector da logística.

Na Europa, esta transformação está claramente enquadrada pelo European Green Deal, que estabeleceu metas muito ambiciosas para a redução de emissões no setor dos transportes, que deverá reduzir cerca de 90% das emissões até 2050. Mais do que uma agenda ambientalm trata-se de uma estratégia económica para um continente que sabe que a sua competitividade futura vai depender de três fatores fundamentais: energia, logística e eficiência territorial.

É neste contexto que surge em 2023, o Greening Freight Package, com três objetivos muito claros:

  • tornar o transporte de mercadorias mais eficiente em de emissões,
  • acelerar a transição para veículos de baixas ou zero emissões,
  • promover a intermodalidade.

E isto acontece num momento paradoxal: a procura logística continua a crescer, mas a exigência sobre a eficiência, sustentabilidade e resiliência é cada vez maior.

Precisamos de mais logística, mas também de melhor logística.

E é aqui que os municípios entram na equação.

A logística do futuro não depende apenas de grandes plataformas regionais. Depende também, e cada vez mais, da forma como o espaço público é organizado, os tempos de acesso e a mobilidade eficiente e as infraestruturas energética adequadas.

Oeiras tem um desafio interessante para esta audiência:
não tem uma vocação logística clássica.

Não temos reservas de solo para plataformas logísticas de escala nacional. Mas temos algo igualmente relevante: uma das economias mais dinâmicas do País, com uma enorme procura logística.

Hoje percebermos que o tempo é mais determinante do que a distância. As plataforma s podem estar mais longe em quilómetros, mas muito mais perto em minutos – se a logística funcionar.

É por isso que defendemos uma visão supramunicipal da mobilidade.

As áreas metropolitanas funcionam como sistemas integrados, não como ilhas administrativas. Os fluxos de pessoas, de empresas e mercadorias atravessam vários concelhos todos os dias.

Projetos como o LIOS e o SATUO, com operação prevista para 2029, são exemplos claros de como investir na mobilidade das pessoas tem impacto direto na acessibilidade, na redução de do congestionamento e na eficiência económica dos territórios – incluindo para a logística.

Outro eixo crítico é a transição energética no transporte de mercadorias.

A eletrificação do transporte de pessoas está consolidada. O grande desafio agora está nos veículos comerciais pesados.

A tecnologia existe. O verdadeiro desafio é territorial: infraestrutura de carregamento de alta potência, integrada no planeamento urbano e energético.

E aqui, novamente, os municípios têm um papel decisivo ao identificar localizações estratégicas, facilitar licenciamento, integrar produção e distribuição de energia renovável e trabalhar em parceria com operadores e investidores.

No fundo, trata-se de alinhar três sistemas que tradicionalmente evoluíram de forma separada: mobilidade, energia e desenvolvimento económico.

E isto volta a trazer-nos ao ponto central: cada rua, cada zona de carga e descarga, cada corredor de mobilidade e cada ponto de carregamento elétrico faz parte da infraestrutura logística do território.

Cidades que gerem bem o espaço público criam valor económico. Cidades congestionadas perdem competitividade.

Oeiras quer posicionar-se exatamente aqui: não como território logístico tradicional, mas como um território onde a Logística urbana é mais eficiente, mas tecnológica e mais sustentável.

Porque no futuro – que já começou – as cidades que integram imobiliário, logística e mobilidade serão as que atraem investimento, talento e inovação.

É esse o caminho que estamos a construir em Oeiras, através da Parques Tejo.”

O seminário organizado pela    ofereceu uma visão abrangente do mercado do imobiliário logístico e industrial em Portugal, destacando as principais oportunidades, tendências e desafios.

Juntos movemos Oeiras!

25/02/2026

 

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