
Menos trânsito nas férias escolares mostra o impacto da mobilidade escolar nas cidades
Com a maioria dos níveis de ensino já em período de férias, há uma mudança que não passa despercebida a quem circula diariamente nas estradas: o trânsito diminui. As deslocações tornam-se mais rápidas, as filas encurtam e as horas de ponta perdem intensidade. É um fenómeno que se repete todos os anos e que levanta uma questão relevante: qual é, afinal, o peso da mobilidade escolar no tráfego das cidades?
Em Portugal, o setor dos transportes é responsável por cerca de 25% da poluição atmosférica. Destes, 61% resultam da utilização do transporte individual. Ao mesmo tempo, os dados dos Censos 2021 mostram que mais de metade das crianças e jovens portugueses entre os seis e os 18 anos se deslocam para a escola de carro. Em Oeiras, esta realidade é ainda mais expressiva: 63% dos alunos utilizam o automóvel nas viagens casa-escola.
A redução do tráfego durante as férias escolares é uma realidade reconhecida por quem vive e trabalha nas áreas urbanas. Ruas mais fluídas, menos pressão sobre a rede viária e uma perceção generalizada de menor congestionamento tornam-se evidentes, mesmo num período em que também existe uma redução da oferta de transportes públicos.
Esta perceção encontra suporte em vários estudos internacionais. Em Pequim foram registadas reduções de congestionamento na ordem dos 20% durante as férias escolares. Em Bruxelas, a diminuição do volume de veículos ronda os 5%, enquanto em Guernsey, uma pequena ilha do Canal da Mancha com cerca de 63 mil habitantes, as reduções podem atingir os 15%.
Os dados apontam para uma conclusão clara: a mobilidade escolar tem um impacto estrutural na circulação urbana e nas emissões associadas ao tráfego. Por isso, pensar a forma como os alunos se deslocam para a escola deve ser parte integrante das estratégias de mobilidade sustentável.
Neste contexto, a promoção das deslocações a pé e de bicicleta assume um papel estratégico. Além de contribuírem para a redução do número de veículos nas estradas, estas opções ajudam a melhorar a qualidade do ar, diminuem a ocupação do espaço público pelo automóvel e promovem estilos de vida mais ativos e saudáveis.
As escolas podem, por isso, ser vistas como verdadeiros polos de transformação da mobilidade urbana. Criar condições para percursos seguros, acessíveis e atrativos para caminhar ou pedalar até à escola representa uma oportunidade para reduzir o impacto ambiental das deslocações diárias e construir cidades mais sustentáveis e centradas nas pessoas.
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Talvez a principal lição que as estradas mais vazias destas semanas nos deixam seja precisamente esta: para mudar a mobilidade das cidades, é necessário olhar para as escolas como uma parte fundamental do sistema de transportes urbano, tomar decisões coletivas mas também individuais.
Juntos Movemos Oeiras!
09/06/2026
